• Julia de Oliveira

Minha trajetória como tatuadora

Agora vocês já sabem quem eu sou, minha idade, signo, como surgiu a idéia de começar a tatuar, quando... Mas e depois? O que aconteceu?

Quando me deu coragem, comprei mais uns materiais para tatuar peles reais e comecei em minhas pernas, depois tatuei minha amiga Bianca várias vezes, depois uma vizinha chamada Camilla - que me pagou R$30,00 por sua tatuagem. Começou a se espalhar a noticia de que eu estava aprendendo a tatuar, então chegaram alguns colegas interessados, fiz algumas tatuagens por R$10,00... R$50,00... Mas eu estava TOTALMENTE infeliz com os resultados, pois ao meu ver, estava deixando a desejar demais - hoje vejo o quanto sou auto crítica e exijo perfeição de mim mesma, sendo que nem faz sentido, eu estava aprendendo, ué! 

Atendi no meu quarto, na casa da minha mãe por uns 5 meses. Aliás, foi assim que meu marido se aproximou na época, fiz sua primeira tatuagem!

Mas voltando... A Camilla, minha vizinha, é sobrinha de um tatuador bem antigo aqui em Santos, o Chanel! E ele viu a tatuagem que fiz nela, era minha segunda ou terceira na vida e foi essa mesma tattoo que o fez me chamar para atender em seu estúdio, que ficava pertinho de casa, mas tinha muuuito mais estrutura.

Chanel foi o primeiro a me dar uma oportunidade e ele me ensinou muito, não só dentro da tatuagem, mas como ser humano. E ah, fazer perfurações básicas de piercing também! Trabalhei lá durante seis meses, mais ou menos... Até que eu quis arriscar: saí da casa da minha mãe e fiz um home studio. 



Essa era a minha sala! Numa casa com apenas sala, cozinha e banheiro. Abdiquei de ter uma cama confortável pra ter uma maca... Alex veio morar comigo. À noite, quando íamos dormir, colocávamos um colchão de solteiro no chão, pra no dia seguinte acordar, esconder o colchão na cozinha e atender meus clientes. Não eram muitos, não. A vida era simples... As tattoos eram baratas... Era desvalorizada, mas resisti firme, nem imaginando o que os próximos anos me esperavam...

Tatuando em casa por mais alguns meses, consegui juntar R$3.000,00 e dei mais um passo... abri um estúdio em uma avenida próxima de casa, a Jovino de Mello (do canal, na Zona Noroeste, heh).



Tendo terminado a reforma (coloquei piso, forro, pintei, etc) meu primeiro estúdio ficou assim. Tão simples, mas muito meu! Estava tendo mais visibilidade agora, as pessoas ficavam curiosas... E todo dia entrava uma velhinha diferente achando que era salão de beleza!



Mais algumas mudanças, meu bichim ia ficando mais aceitável, hehehe. Percebam como eu mudei junto, hoje em dia não teria mais um espaço tão escuro... Mas naquela época, eu achava o máximo! Tinha apenas 21 anos nessa época. Foi nesse cantinho pequeno e simples que fiquei até os meus 23... dois anos tatuando ali. A proprietária da lojinha até hoje comenta meus posts sobre meu ateliê, ah se ela soubesse como sou grata! Eliana, um amor e muito compreensiva. Essa lojinha nem tinha contrato, era na confiança... Às vezes eu atrasava o aluguel, mas nunca deixei de pagá-lo, graças a Deus.



Esse local me proporcionou muita experiência e aprendizado. Nesse estúdio recebi uma aprendiz, a Cíntia, que tatua até hoje. Nesse estúdio recebi outros tatuadores, fiz flashday, fiz promoções, trabalhei desde cedo até tarde da noite... Mas a realidade cruel era a desvalorização, me sentia péssima quando reclamavam dos meus preços, me sentia pequena e triste, chorava... Foi quando eu quis crescer mais uma vez, como uma lagartinha que troca de pele, mais uma vez eu já não cabia dentro daquela situação.

Arrisquei.

Uma mensagem medrosa e tímida pra uma das donas de um estúdio grande aqui em Santos... Ivy, do Santos City Tattoo... Ela marca uma reunião comigo e seu sócio, Paulinho - de quem eu tinha muito medo. Uma semana de espera pra essa reunião, eis que aconteceu... Dia 06/09/2016 eu estava confirmada pra equipe daquele estúdio e foi o divisor de águas... Comecei no dia seguinte. Era feriado. Minha primeira cliente lá foi a Fernanda, a quem tatuo até hoje! 

Eu nem preciso dizer que estava radiante, né? Um estúdio tão conhecido, eu apenas uma pequena gafanhota... Ali começou uma fase totalmente diferente! Aprendi a ser gente. AHUAHUAH Era muito maloqueirinha, falava 5x mais palavrões do que falo hoje.

Não tinha uma agenda lotadissima, mas nossa como era legal ficar observando meus colegas tatuar. Foi onde mais aprendi e melhorei nas técnicas e aplicação, mas não fazia só isso... No Santos City eu adorava fazer de tudo um pouco: atendia clientes pessoalmente, no telefone, agendava pros meus coleguinhas, passava orçamentos... Foi lá que entendi a importancia do instagram pra divulgação, tinha 700 seguidores quando entrei e saí um ano e meio depois, com 15 mil. E saí por ter recebido um convite para atender no Blush Tattoo, um estúdio de mulheres com foco no público feminino.

Daí desembestou de vez.


Antes de sair do Santos City, já havia entendido que queria trabalhar com o público feminino e ter entrado no Blush fez isso mais real, mais possível. Atendo alguns homens ainda? Sim! Mas sinto que tenho mais sensibilidade e compatibilidade com as mulheres, por motivos óbvios eu acho, né? ahuahuah


No Blush foi paulera. 2018 foi o ano que eu mais trabalhei na vida todinha. Entrava cedo, saía tarde. Clientes à rodo, muita fartura e prosperidade! Instagram passou de 15k pra 50k em um ano e meio... Não é muito, na minha opinião, mas é orgânico e verdadeiro, isso que me importa!


Também aprendi demais trabalhando com a equipe do Blush, foi um período muito bom mesmo, me dediquei mais aos traços finos e pude investir em bons equipamentos... E tudo ia bem, até que de novo eu senti a necessidade de dar mais um passo. Abril desse ano, 2019, estava 100% decidida que encararia mais um risco... Abrir um espaço novamente, dessa vez com uma realidade totalmente diferente...



No dia primeiro de Julho, tudo recomeçou... E apesar de todo o trabalho, esforço, noites mal dormidas, cansaço, investimentos, entra cedo e sai tarde, não dá tempo de almoçar socorro, têm sido MARAVILHOSO e minha agenda está lotada até o talo, como eu nunca tive antes! Nem tenho roupa pra isso! Mais crescimento, mais aprendizado, mais amor ainda! Mudei TUDO DE NOVO! E em breve mudarei DE NOVO (não de espaço, ok)! Porque sei lá, eu sou assim, sabe? Não me acomodo! As vezes até queria sossegar a piriquita, mas já aceitei que essa sou eu, literalmente uma metamorfose ambulante!

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©2020 por Julia de Oliveira.